Silves (Portugal)

município e cidade de Portugal
 Nota: Se procura pelo município brasileiro do estado do Amazonas, veja Silves (Amazonas).

Silves é uma cidade portuguesa no distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, cuja freguesia tem cerca de 10671 habitantes (censo 2021).[1]

Silves

Vista parcial de Silves

Brasão de SilvesBandeira de Silves

Localização de Silves

GentílicoSilvense
Área680,06 km²
População38 239 hab. (2021)
Densidade populacional56,2  hab./km²
N.º de freguesias6
Presidente da
câmara municipal
Rosa Cristina Gonçalves da Palma (PCP-PEV, 2021-2025)
Fundação do município
(ou foral)
1266
Região (NUTS II)Algarve
Sub-região (NUTS III)Algarve
DistritoFaro
ProvínciaAlgarve
OragoNossa Senhora da Conceição
Feriado municipal3 de setembro (Conquista aos Mouros)
Código postal8300 / 8365 / 8375 Silves
Sítio oficialCM SILVES
Município de Portugal

É sede do município de Silves com 680,06 km² de área[2] e 38 239 habitantes (censo de 2021)[1], subdividido em 6 freguesias.[3] O município é limitado a norte pelo município de Ourique, a nordeste por Almodôvar, a leste por Loulé, a sudeste por Albufeira, a sudoeste por Lagoa, a oeste por Portimão e Monchique e a noroeste por Odemira e a sul tem litoral no oceano Atlântico.

Silves foi, durante diversos séculos, a capital do actual Algarve, nomeadamente durante o domínio muçulmano, assim como no período da expansão marítima portuguesa.[4] Pertence à rede das Cidades Cittaslow.[5]

Nos últimos anos o número de turistas que visitam o município tem vindo a aumentar de forma substancial, destacando-se nomeadamente como destino de turismo de cultura.[6] Silves é uma das cidades mais antigas de Portugal.[7][8][9]

História

Ver artigo principal: História de Silves
Reconstituição de Shelb (Silves) em 1230
Gravura representando a rendição dos mouros de Silves, em 1189.
Estátua de D. Sancho I, no Castelo de Silves. Rei que reconquistou a cidade

O povoamento da região data desde o Paleolítico, sendo esta uma área de assentamento de povos, como os Cónios e os Célticos. Posteriormente, durante o domínio romano, chamar-se-ia Cilpes, nome que surge em algumas moedas romanas cunhadas nesse local no século I a.C.. Um dos espécimes encontrados apresenta no obverso o nome CILPES entre duas espigas deitadas e no reverso um cavalo a galope, para a esquerda. Os vestígios romanos estão presentes um pouco por todo o município silvense.[1]

Com a queda do Império Romano, e as invasões dos povos germânicos, Silves foi integrada no reino dos Visigodos, no século V. As primeiras fortificações erguidas no Castelo de Silves podem ter tido origem no período romano, sobre um castro lusitano ou mais tarde pelos Visigodos.

Xelb, Xilb ou al-Shilb era a cidade de Silves durante o domínio muçulmano. Foi onde o poeta e terceiro e último rei Abábida da Taifa de Sevilha, al-Mu'tamid, viveu enquanto ainda príncipe.[10]

O aspeto de Xelb por volta de 1230 foi notavelmente reconstituído pelo artista plástico Victor Borges num conjunto de painéis.

A primeira tentativa da reconquista de Silves, por parte de D. Sancho I, teve início nos começos de 1189, com o auxílio de uma frota de cruzados nórdicos,[4] principalmente dinamarqueses, e de frísios, dos Países Baixos. Posteriormente, o rei português interceptou uma nova frota de cruzados que ia caminho da Terra Santa. Logrou firmar um acordo com estes: a troco da ajuda prestada, poderiam saquear a cidade. Esta nova vaga de soldados era composta por ingleses, alemães e flamengos.[4] A esquadra, constituída por trinta e seis navios de alto bordo e por aproximadamente três mil e quinhentos soldados fortemente armados, partiu do Tejo a 16 de Julho, chegando a Silves quatro dias depois. Sancho I intentou a conquista de Silves, à qual impôs um duro sítio que durou até 3 de Setembro. O rei português prestou-se a grandes esforços que visavam impedir que os guerreiros estrangeiros se entregassem a grandes matanças. Não obstante, o resultado do cerco e dos ataques provou-se desastroso; uma considerável porção da população foi morta e a cidade fortemente pilhada e destruída.[4] Alguns dos sobreviventes partiram rumo a Sevilha, onde encontraram refúgio.[4] Dois anos depois, o miramolim de Marrocos retomou-a, passando-a novamente para as mãos dos mouros que por mais meio século voltariam a controlá-la.[4] Em 1242, D. Paio Peres Correia reconquistou-a definitivamente para os portugueses, no reinado de D. Afonso III.[2]

Em 1266, D. Afonso III concede o foral Afonsino a Silves. Nos séculos seguintes a cidade teve uma relevância acentuada na expansão marítima, tendo o Infante D. Henrique sido recebido como alcaide-mor da cidade em 1457, na qual viveu antes de se ter mudado para Lagos e depois para Sagres.[11]

Em 1495, D. João II morreu inesperadamente em Alvor, próximo a Silves, e seu corpo foi provisoriamente sepultado na capela-mor da Sé. Em 1499, com a presença de D. Manuel em Silves, os restos de D. João II foram exumados e transladados ao Mosteiro da Batalha, onde foram sepultados definitivamente. Esse evento é recordado por uma lápide com inscrições góticas localizada na capela-mor da Sé e possivelmente pela construção da Cruz de Portugal, situada já fora do centro da cidade.[12] O sismo de 1755,[13] a reanimação dos portos de Lagos e Tavira, assim como as actividades norte-africanas, afectaram enormemente a cidade de Silves,[4] que só no século XIX começou a recuperar a sua importância, graças principalmente ao desenvolvimento industrial. No final deste século e principalmente no século XX, devido à construção do caminho de ferro e à abertura de importantes estradas, Silves inicia a sua recuperação e ascensão, tornando-se nessa altura numa importante zona agrícola e um centro de produção de frutos secos e de indústria corticeira.[14][15] Silves foi, em séculos passados, capital do Algarve, perdendo esse estatuto em parte devido ao assoreamento do rio Arade, acontecimento esse que diminuiu alguma da sua importância portuária e, por conseguinte, económica.[4]

Segundo José Hermano Saraiva, Silves foi, durante o domínio muçulmano, uma colónia de iemenitas.[4]

Freguesias

Freguesias do município de Silves

O município de Silves está dividido em 6 freguesias:

Freguesias do município de Silves
FreguesiaResidentes (2011)Residentes (2021)[1]
Alcantarilha e Pêra49725004
Algoz e Tunes64916857
Armação de Pêra48676003
São Bartolomeu de Messines84308164
São Marcos da Serra13521114
Silves1101410671
Total3712637813

Demografia

De acordo com os dados do INE o distrito de Faro registou em 2021 um acréscimo populacional na ordem dos 3.7% relativamente aos resultados do censo de 2011. No concelho de Silves esse acréscimo rondou os 1.8%.


Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram:

Silves
AnoPop.±%
1864 18 996—    
1878 22 860+20.3%
1890 26 096+14.2%
1900 29 598+13.4%
1911 31 790+7.4%
1920 32 433+2.0%
1930 34 461+6.3%
1940 36 333+5.4%
1950 37 705+3.8%
1960 33 368−11.5%
1970 25 838−22.6%
1981 31 389+21.5%
1991 32 924+4.9%
2001 33 830+2.8%
2011 37 126+9.7%
202137 766+1.7%
Número de habitantes por Grupo Etário ★★[16]
1900191119201930194019501960197019811991200120112021
0-14 Anos10 88012 02611 59911 44210 8779 2767 4244 7355 8215 5294 4015 1295 107
15-24 Anos5 3985 6236 0647 0036 4507 1205 3023 9154 2294 1874 2293 4993 430
25-64 Anos11 70112 16312 91114 42616 05918 30017 17713 46515 70516 49817 52720 15519 793
= ou > 65 Anos1 4361 8371 7621 9272 4302 8163 4653 6405 6346 7107 6738 3439 436

★★ De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente

Economia

Parte rural de Silves. O município é o maior produtor de laranjas do Algarve

Em Silves, e de uma forma geral todo o município silvense e no restante Algarve, domina essencialmente o sector terciário, onde o comércio é complemento do turismo.[3] A cidade de Silves historicamente sempre teve um sector secundário dinâmico, caracterizado pela indústria corticeira (possuiu fábricas de cortiça existentes na sua malha urbana), indústria de grande relevo na região algarvia.

Em 2011 (censos), Silves, a par de Albufeira, Portimão, Aljezur, Lagoa e São Brás de Alportel, eram os municípios com maiores taxas de atracção da região do Algarve, com valores superiores a 12%.[4]

Equipamentos

Transportes

A cidade é servida pela estação ferroviária de Silves, assim como por rede de autocarros (regionais e expresso).

Educação

A cidade de Silves possui escolas do ensino básico primário e secundário - Escola EB 2,3 Doutor Garcia Domingues, Escola Secundária de Silves (considerada uma das melhores do Algarve[17][18]) e jardins de infância.

Possui também uma instituição de ensino superior - Escola Superior de Saúde Jean Piaget, que ministra cursos de licenciatura, mestrado e pós-graduação no âmbito do Ensino Superior Politécnico, em áreas como Enfermagem, Fisioterapia, Osteopatia, e Serviço Familiar e Comunitário, entre outras.

Outros Equipamentos:

- Fissul (Pavilhão de Feiras e Exposições de Silves).

- Parque da Cidade [5]

- Ciclovia do Parque da Cidade

- Piscinas Municipais de Silves.

Património

Portas da cidade (cuja construção remonta à primeira dinastia portuguesa) e Torre Albarrã[19].
Sé de Silves.
Vista aérea parcial de Silves em 2023.

Ver também: Lista de património edificado em Silves

Património não religioso

Património religioso

Cultura

  • Museu Municipal de Arqueologia de Silves
  • Casa Museu João de Deus
  • Biblioteca Municipal de Silves
  • Teatro Mascarenhas Gregório de Silves
Praia de Armação de Pêra

Praias

Desporto

Silves sempre foi uma cidade bastante ligada ao desporto. Sobretudo ao maior clube desportivo da cidade e do município - o Silves Futebol Clube (fundado em 1919).[6] O município ainda possui outros clubes desportivos como o Clube de Futebol "Os Armacenenses" (localizado em Armação de Pêra) e, em São Bartolomeu de Messines, a União Desportiva Messinense.

Outros desportos também têm alguma relevância, como a natação, que se desenvolveu bastante com a construção das Piscinas Municipais de Silves - uma instalação desportiva de referência no município, não só pela dimensão e qualidade do edifício em si, mas sobretudo pela quantidade de utilizadores que movimenta diariamente em torno de um conjunto de actividades orientadas ao dispor da população e que se dividem nas seguintes áreas:

  • Escola Municipal de Natação;
  • Ginásio;
  • Sala de Fitness;
  • GAF – Gabinete de Avaliação do Perfil de Saúde e da Atividade Física.[7]

Política

Eleições autárquicas [36]

Data%V%V%V%V%V%V%V%V%V%VParticipação
PSFEPU/APU/CDUPPD/PSDCDS-PPPCTP/MRPPUDP/BEPPMCHILA
197639,79326,60220,8324,71-2,66-
62,00 / 100,00
197937,49329,35227,8922,20-
73,29 / 100,00
198237,83329,29227,4621,58-
72,89 / 100,00
198519,25142,64431,0423,14
64,41 / 100,00
198935,15332,81227,742
61,98 / 100,00
199328,15233,87331,3521,99-
65,31 / 100,00
199722,34232,00238,2231,13-2,04-
61,45 / 100,00
200117,80131,61242,5142,26-0,92-
59,58 / 100,00
200527,54219,27144,1840,99-3,18-
59,41 / 100,00
200931,89318,67139,5435,88-
57,22 / 100,00
201325,62234,68327,3225,09-
51,87 / 100,00
201714,39152,65421,6122,32-3,18-CDS-PP
51,39 / 100,00
202118,97143,10423,1821,82-2,00-5,10-1,33-CDS-PP
48,39 / 100,00

Eleições legislativas

Data%
PSPCPPSDCDSUDPADAPU/

CDU

FRSPRDPSNBEPANPSD
CDS
LCHIL
197641,3222,0316,075,502,99
197931,50APUADAD2,8529,7127,09
1980FRS1,7931,8823,2132,84
198340,3919,866,401,0725,55
198520,1625,944,571,6120,8420,09
198723,25CDU41,932,970,9716,406,18
199129,5747,852,8310,681,211,84
199548,3427,396,180,8711,860,51
199948,0928,845,0411,351,75
200239,8835,647,329,702,12
200551,3521,444,7110,036,40
200930,2823,859,2411,9315,67
201122,6133,8511,4812,337,991,62
201531,02CDSPSD13,3413,421,7328,120,72
201934,1119,153,4913,1911,654,320,902,410,67
2022[37]38,9521,150,978,665,401,861,1113,544,12

Personalidades destacadas

Vista do Castelo de Silves.

De acordo com a carta do catalão Gabriel de Valseca (1439), estudada pelo historiador Damião Peres, foi o descobridor da Ilha de Santa Maria e, muito provavelmente, da Ilha de São Miguel, nos Açores, no ano de 1427.

  • José Diogo de Mascarenhas Neto (1753-1824), natural de Alcantarilha, então freguesia do concelho de Silves, foi um notável magistrado, funcionário público e político. Superintendente Geral das Calçadas e Estradas, foi responsável pela construção da primeira estrada Lisboa-Porto e deve-se-lhe a organização dos primeiros serviços postais modernos (posta-restante, etc.) e a identificação dos números das casas em cada rua (números de polícia).
  • Bernardo Loureiro Marques (Silves, 21 de Novembro de 1898 — Lisboa, 28 de Setembro de 1962) foi um distinto pintor, ilustrador e artista gráfico.
  • Maria Keil (Silves, 9 de Agosto de 1914 — Lisboa, 10 de Junho de 2012) foi uma pintora e ilustradora portuguesa; pertence à 2.ª geração de pintores modernistas portugueses.[1][2]
  • João de Deus de Nogueira Ramos - Nasceu a 8 de março de 1830 em São Bartolomeu de Messines e faleceu a 11 de Janeiro se 1896(65 anos) Nacionalidade Portuguesa.
  • José António Silva (1957 - 2017) - Empresário e associativista
  • Pedro Mascarenhas Júdice (1875 - 1944) - investigador da história do Algarve e engenheiro agrónomo
  • António Neves Anacleto (1897 - 1990) - Político, advogado e jornalista, opositor ao Estado Novo
  • José da Ponte (1954 - 2015) - baixista, compositor e produtor musical português.
  • Corina Freire (1897- 1986) - foi uma cantora lírica soprano, atriz, professora de canto, compositora de marchas populares e empresária teatral portuguesa.
  • Rui Bento - Futebolista português.

Galeria

Vista panorâmica da Praia de Armação de Pêra





Eventos

Festas:

  • Feira Medieval de Silves
  • Festival da Cerveja (Silves Beer Fest)
  • Silves Urban Music (SUM)
Costumes e Tradições:
  • Procissão Pascal - Silves
  • Festa em Honra da Nossa Senhora dos Aflitos - Armação de Pêra

Geminações

A Cidade de Silves é geminada com as seguintes cidades:[38]

Ver também

Bibliografia

  • SARAIVA, José Hermano (1986). O tempo e a alma. Segundo Volume. Editora: Resopal.

Referências

Ligações externas

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